Faz 10 anos. Já faz 10 anos? Parece que foi ontem. Mas como esquecer, não é? Foi o dia que o mundo mudou de vez.
Eu estava na PUC, onde fazia faculdade, trabalhando no projeto de pesquisa do qual fazia parte. Era meu último ano de faculdade, meu último semestre de aulas e também como bolsista de iniciação científica.Lembro que logo cedo naquele dia desci para pegar um café. Alguns professores e alunos estavam reunidos na cafeteria do Prédio 8 (da Faculdade de Letras), assistindo TV. Só vi as imagens de relance — uma das torres do World Trade Center em chamas. Com poucas e rápidas trocas de palavras, fiquei sabendo que um avião havia colidido com ela.
Na minha doce e ingênua inocência da época, achei que fosse apenas um acidente aéreo. Não fiquei para saber mais. Era horário de trabalho e eu não podia me estender. Voltei à pesquisa.
Mais ou menos uma hora depois, uma colega bolsista que fazia pesquisa na mesma sala que eu voltou do intervalo falando sobre a colisão de um segundo avião com a outra torre do WTC. As informações eram desencontradas. Eu sabia da primeira torre, e acidentes acontecem, mas um segundo avião na segunda torre? Não podia ser coincidência.
Logo começou uma rede informal de notícias entre os bolsistas e, também, as secretárias e professores do curso. Mas ninguém sabia o que estava acontecendo realmente, nem no 4o andar do Prédio 8 da PUC em Porto Alegre, nem em Nova York, Washington ou em qualquer lugar do mundo (a menos, é claro, que você fosse um terrorista da Al-Qaeda).
Depois do expediente, na hora do almoço, os boatos. Lembro bem de um segurança dizendo: “É o fim do mundo, é a Terceira Guerra Mundial. Começou. Os Estados Unidos estão sendo destruídos”. Estas foram as exatas palavras dele. Lembro até hoje. E o que me veio à cabeça foi que, assim como eu não sabia da colisão na segunda torre, talvez também não soubesse de o que mais pudesse estar acontecendo no resto dos EUA e do mundo. Era bem possível que houvesse mesmo uma guerra em solo americano.
Depois do almoço, fui para casa. A volta para casa aquele dia foi diferente. Tudo era silêncio — ou talvez eu estivesse tão perdido em meus próprios pensamentos sobre os "acidentes" (ataques?) em Nova York e nos EUA que não prestasse atenção em mais nada.
Em casa, uma imagem que eu nunca vou esquecer. Meus pais e minha irmã sentados no sofá imóveis, calados, fixos nas imagens na TV. Acho que isso não acontecia desde… Sei lá. Desde muito, muito tempo. Lembro que foi muito estranho porque, de acordo com o que eu sabia, ninguém deveria estar em casa naquele horário. Mas estávamos todos lá. Acho que não foi diferente em nenhuma outra casa.
De novo e de novo, as imagens repetiam o choque dos aviões com as torres, o pânico, as pessoas em fuga, a fumaça, os inúmeros repórteres com informações desencontradas, as muitas teorias, os embaixadores, os bombeiros, os policiais, o caos. A Estátua da Liberdade sozinha — acho que nunca tão desamparada —, estupefata na minha imaginação, uma lágrima correndo pelo rosto, ansiosa por descer do pedestal e ajudar o povo (seu povo!) em necessidade.
Para ser bem sincero, não lembro do resto daquele dia. Não lembro de ter feito mais nada, não lembro de ter desgrudado da TV nem da internet. Lembro apenas de passar o dia fixo nas notícias. Lembro do exato momento em que as torres dos World Trade Center desabaram. Foi o fim de uma era, o início do resto da história. Desta vez, sem inocência. Foi o dia que o mundo mudou de vez.

